
UGC não é o que sua marca paga para alguém gravar
UGC virou palavra de ordem no e-commerce, mas a maioria das marcas usa o nome errado para o que está fazendo. O termo real, Conteúdo Gerado pelo Usuário, descreve o que o consumidor cria espontaneamente a partir de uma experiência com o produto. Quase tudo que circula como "UGC" hoje é outra coisa, e essa confusão custa resultado.
O que era UGC e o que virou commodity
O formato explodiu nos DTCs internacionais por um motivo simples: gera identificação, não parece publicidade e entrega sinais claros ao algoritmo. Com a evolução das plataformas, o conteúdo deixou de ser só criativo e passou a alimentar a própria segmentação. Mas, quando tudo vira performance, satura. O que funcionava bem em 2019 perdeu força justamente porque virou padrão de produção.
A confusão começa no nome. Quando existe relação comercial, roteiro e pagamento, não há conteúdo gerado por usuário. Há Creator Generated Content, o CGC: pessoas sem grande audiência, selecionadas pela capacidade de produzir vídeo de qualidade e dominar a linguagem da plataforma. A marca paga pelo asset, o criador nunca publica no próprio perfil, e o conteúdo roda como anúncio, landing page ou matéria-prima para novos criativos.
Não é proibido. É diferente. E a diferença importa porque muda a expectativa. UGC de verdade tem o selo da espontaneidade, como o #shotoniphone da Apple ou as latas personalizadas da Coca-Cola. CGC tem a eficiência da produção sob briefing.
A conta que as marcas fecham em silêncio
Quando um formato performa, nasce a pergunta inevitável: como produzir mais em escala? O time de growth pede cinquenta vídeos para amanhã, e ativar comunidade de verdade custa tempo, esforço e gestão de CRM. O caminho rápido é pagar criadores emergentes que ainda não têm comunidade para vender, mas têm domínio de produção. A relação é legítima e até saudável: a marca ganha escala, o criador ganha renda e um acesso que a baixa autoridade nunca lhe daria.
BoxShift Take
O ponto que vale destaque é o da transparência. Chamar criativo pago de "UGC" não é só imprecisão conceitual, é risco reputacional e regulatório, já que o CONAR espera sinalização clara de publipostagem. E o cenário fica pior com avatares de IA falando de produtos que nunca consumiram.
Na prática, separe as duas prateleiras. UGC para provar o produto e gerar confiança; CGC para escala e performance. E seja honesto com o público sobre o que é o quê. Construir criativos que convertem com essa separação clara é parte do que a gente faz na BoxShift, performance que não estoura a confiança da marca.
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