
Seu propósito de marca ninguém lembra mesmo
Um estudo do Ehrenberg-Bass Institute jogou um balde de água fria num dos dogmas mais repetidos do marketing: propósito de marca. A conclusão é incômoda — pouquíssima gente sabe ou se importa com o propósito das marcas, mesmo daquelas que gastam milhões contando a história dele.
Os números do choque
O instituto entrevistou cerca de três mil consumidores nos EUA, no Reino Unido e na Austrália, perguntando de forma aberta qual era o propósito de 14 marcas famosas justamente por investir nessa frente. A média de reconhecimento foi de 18% — 14% na Austrália, 18% no Reino Unido e 22% nos EUA. E se você desconsidera as respostas erradas, o número real de consciência cai para menos de 10%.
A Nike foi o destaque, com 52% de reconhecimento nos EUA. Mas o próprio estudo atribui isso ao tamanho da marca, não à força do propósito. Ou seja: mesmo a marca que virou caso de aula sobre o tema é reconhecida por pouco mais da metade de um único mercado.
O que isso significa pra sua loja
No Brasil, muita marca abraça propósito — sustentabilidade, inclusão, causas. E a tentação de achar que isso vende é grande. Mas o consumidor brasileiro ainda decide por preço, entrega rápida e confiança. Propósito desconectado da experiência de compra vira ruído, não argumento.
Propósito funciona em dois cenários específicos: como fator de desempate na etapa de consideração, quando uma embalagem reciclável pode inclinar a escolha entre opções parecidas; e em nichos mais sensíveis ao tema, como parte da Gen Z e dos millennials. Fora disso, disponibilidade mental — ser lembrado — e facilidade de compra pesam muito mais na decisão.
O básico ainda paga o aluguel
A recomendação do estudo é a que ninguém quer ouvir porque não dá hype: transforme propósito em ação concreta, como tirar plástico da embalagem, e trate ele como apoio, não como estratégia central. Antes de campanha de propósito, garanta que o básico esteja bem feito — checkout otimizado, experiência de compra boa e loja conhecida por mais gente.
BoxShift Take
O estudo é um antídoto útil contra o vício de trocar estratégia por manifesto. A gente concorda com o essencial: frase bonita no site não converte ninguém. Mas cuidado para não virar o extremo oposto. Propósito bem executado, ancorado em decisão de produto e experiência — não em campanha — ainda é ferramenta de diferenciação real. O problema nunca foi propósito; foi o uso dele como substituto de trabalho.
Se você quer testar a hipótese sem apostar o orçamento: comece por onde o cliente sente a marca — embalagem, entrega, comunicação da loja — e meça. É nesse cruzamento entre estratégia de marca e execução orientada a dado que a BoxShift trabalha, para que propósito seja decisão de negócio, não texto de landing page.
Transforme seu e-commerce com a BoxShift
Estratégia, tecnologia e marketing para lojas virtuais que querem escalar de verdade.
Artigos relacionados

Vendas D2C disparam 32% no início da Nuvemshop Week: O avanço dos canais próprios
O modelo Direct-to-Consumer (D2C) ganha força no varejo brasileiro. Dados da Nuvemshop Week revelam salto de 32% no faturamento e a liderança absoluta do setor de moda no ambiente digital proprietário.

Hair Brasil Hub: A Evolução Digital que Transforma a Feira em um Ecossistema 365 Dias
Consolidada como referência no setor de beleza, a Hair Brasil expande sua atuação com o lançamento do Hair Brasil Hub, um ecossistema digital permanente que integra marketplace, capacitação profissional e soluções logísticas.

Copa de 2026 redefine o varejo brasileiro: a estratégia de 'dois tempos' no e-commerce
O Mundial de 2026 provou que o sucesso no varejo não depende mais de uma única campanha, mas da capacidade de sincronizar logística, tecnologia e janelas de consumo em tempo real.