IA virou infraestrutura: o recado do Web Summit
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IA virou infraestrutura: o recado do Web Summit

Davi FerreiraDavi Ferreira
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Fui ao Web Summit Rio 2026 esperando uma maratona de novidades de IA. Vi várias — e, por isso mesmo, o que ficou foi outro: em nenhum momento a IA foi o assunto. Não porque perdeu relevância; porque virou ambiente. E quando uma tecnologia vira infraestrutura, o debate muda de vez.

Quando a tecnologia some do palco

Ninguém vai a um evento para discutir internet, nuvem ou smartphone. Essas tecnologias sumiram da conversa porque se tornaram parte do ambiente de negócios. No Web Summit, a IA está nesse estágio: os painéis mais interessantes não comparavam modelos nem listavam funcionalidades. A discussão era estrutural — como organizar dados, integrar sistemas, reduzir atrito operacional e fazer a operação rodar num mundo em que IA está em praticamente todas as etapas.

Quem trabalha com e-commerce deveria ler isso com atenção. As empresas que tratam IA como projeto isolado — um chatbot aqui, uma automação ali, uma ferramenta de conteúdo acolá — estão atrasadas. A próxima fase não será vencida por quem tem mais iniciativas de IA, e sim por quem tem a melhor estrutura para utilizá-la.

A IA potencializa o que já existe

Levantamento da McKinsey publicado em 2025 aponta que mais de 70% das organizações já usam IA generativa em alguma função. Quando todo mundo tem acesso à mesma ferramenta, a vantagem sai da ferramenta e vai para aquilo que a alimenta: os dados. E aqui o recado é duro: IA não corrige desorganização. Uma operação bem estruturada tende a ficar melhor; uma confusa tende a escalar a própria confusão.

Não por acaso, qualidade de dados foi um dos temas mais citados do evento. Não é hype — é consequência. Dado sujo, atributo inconsistente ou catálogo mal organizado vira decisão errada em escala quando entra na máquina.

Dados como ativo estratégico

O e-commerce brasileiro passou pelas fases de atrair visitante, converter, reter e personalizar. A próxima fronteira é transformar dados em ativo estratégico: catálogo organizado, informações de produto consistentes, CRM, mídia, busca e operação conversando entre si. Os consumidores mudaram, as buscas mudaram e os agentes de IA começam a ocupar o espaço dos mecanismos tradicionais de descoberta. Se a máquina vai escolher por você, ela só enxerga o que você estruturou.

BoxShift Take

O Web Summit confirmou o que a gente já vê em campo: a pergunta certa não é "qual IA usar", e sim "meus dados estão prontos para alimentá-la?". Quem trata IA como vitrine vai ficar para trás — e rápido.

Recomendação prática: antes do próximo investimento em IA, faça um raio-x da base. Cheque qualidade do catálogo, consistência dos atributos, integração entre canais e governança mínima de dados. Corrija o esqueleto primeiro; a IA faz o resto render. É exatamente esse tipo de estrutura que a BoxShift ajuda a montar nas operações digitais que acompanhamos — e o retorno aparece antes do que a maioria imagina.

Tags:iaweb-summitdadostecnologiaoperacao
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