Copa do Mundo aquece o delivery e impulsiona a demanda por seguros na economia de aplicativos

Copa do Mundo aquece o delivery e impulsiona a demanda por seguros na economia de aplicativos

Davi FerreiraDavi Ferreira
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O fenômeno da Copa e a pressão sobre a logística de última milha

A Copa do Mundo vai além das quatro linhas, funcionando como um motor potente para a economia digital brasileira. O aumento expressivo no consumo domiciliar durante os jogos gera um efeito imediato no setor de serviços sob demanda. Estimativas do mercado apontam que o volume de pedidos em plataformas de delivery pode saltar 25% nos dias de partidas, com destaque para os segmentos de bebidas e conveniência, que registram picos ainda mais agressivos.

Dados da principal plataforma de entregas do país revelam o tamanho desse impacto: apenas nos jogos da seleção brasileira, foram processados mais de 10 milhões de pedidos, alcançando a marca histórica de 2,4 milhões de transações em um único dia. Esse cenário de alta produtividade, no entanto, traz à tona um debate crucial sobre a segurança e a estabilidade financeira dos profissionais que viabilizam essa operação.

Riscos ampliados e a ascensão dos seguros embarcados

Para os mais de 2,2 milhões de motoristas e entregadores que atuam no Brasil, o torneio representa uma chance de maximizar ganhos, mas também eleva a exposição a riscos ocupacionais. Acidentes de trânsito e afastamentos temporários podem interromper abruptamente a geração de renda de uma categoria que, historicamente, opera à margem dos benefícios corporativos tradicionais.

Diante dessa lacuna, as plataformas de tecnologia e o setor de insurtechs estão acelerando a oferta de seguros embarcados (embedded insurance). A seguradora digital 88i, especializada neste nicho, observou um crescimento de 25% na procura por seus produtos no mês de início do evento esportivo. O diferencial dessas soluções reside na flexibilidade: a proteção pode ser ativada e desativada conforme a jornada de trabalho, cobrindo desde despesas médicas e hospitalares até diárias por incapacidade temporária.

Inclusão securitária na gig economy

A expansão desse modelo de proteção reflete a mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro. De acordo com o Cebrap e a Amobitec, o número de motoristas de aplicativos cresceu 35% entre 2022 e 2024, enquanto o de entregadores subiu 18%. Esse ecossistema agora abrange também profissionais de limpeza, beleza e manutenção residencial.

Para muitos desses trabalhadores, o seguro digital é a porta de entrada para o mercado financeiro. Cerca de 70% dos segurados da 88i nunca haviam contratado um seguro antes. Segundo Rodrigo Ventura, fundador da insurtech, a tecnologia é a chave para criar produtos que acompanhem a dinâmica desses profissionais multiplataforma, garantindo que o motor da economia continue girando sem deixar o trabalhador desamparado em momentos de crise.