
Seu ROAS subiu? Cuidado, pode ser só você se comprando
Se o ROAS das suas campanhas de Pesquisa no Google subiu em setembro e ninguém da equipe mexeu em nada, segure a comemoração. O Google está trocando o motor de segmentação das suas campanhas com a campanha rodando — e o número da conta melhora justamente quando a aquisição piora.
A campanha que você configurou mudou de motor
A IA Max para Pesquisa junta três coisas que antes eram suas: correspondência por termo de pesquisa, personalização de texto e expansão de URL final. A promessa original era 14% mais conversão a ROAS similar; no balanço de 2026, caiu para 7%. Nos dois casos, o varejo ficou fora da amostra.
Entre 1 e 30 de setembro de 2026, campanhas legadas migram automaticamente. Quem usava correspondência ampla recebe expansão de termos ligada por padrão. Quem nunca configurou exclusões de marca — a maioria das contas brasileiras — entra nesse período sem barreira nenhuma entre a expansão e o próprio nome da loja.
Conversão encontrada não é conversão causada
Encontrar conversão é estar no caminho de quem já digitou seu nome. Causar conversão é colocar sua loja na frente de quem ia comprar de outro. Com a expansão ligada, a máquina busca as consultas com maior chance de converter dentro do orçamento — e as mais fáceis da sua conta são sempre as que contêm sua marca.
Ela não está te sabotando. Está entregando o caminho mais curto até a meta de ROAS que você definiu. O problema é que esse caminho passa pelo cliente que já era seu. Você mudou o cesto para debaixo da árvore que já dava fruta e chamou de colheita.
A métrica que denuncia o problema
O indicador que acusa é a participação de marca no investimento de Pesquisa: quanto do orçamento vai para consultas com o nome da sua loja, dividido pelo total. O corte prático é 20%. Acima disso, cada ponto é verba comprando pedido que aconteceria de qualquer forma.
E o ROAS da campanha sobe exatamente quando a participação de marca sobe — o transformando no pior sensor possível para essa mudança. Uma simulação do artigo original ilustra: ROAS de 3,92 para 4,95 (+26%) enquanto a receita do site cai 4,3%. Relatório bonito, caixa pior.
BoxShift Take
A migração é irreversível e o calendário vai até fevereiro de 2027. Não existe botão de voltar para a campanha de palavra-chave que você aprendeu a operar. Quem ganhar é quem separar orçamento de colheita de orçamento de conquista antes que a Black Friday embaralhe os números.
- Audite já: abra o relatório de termos de pesquisa dos últimos 60 dias, classifique marca vs. não-marca e calcule a participação. Acima de 20%, aja agora.
- Isole a marca: crie campanha própria com teto de 5%–10% e exclusões de marca em todas as demais campanhas, incluindo Performance Max.
- Pare de julgar por ROAS de campanha: meça custo por cliente novo e receita total do site. Pause a campanha de marca por 14 dias — se a receita total não cair, aquela verba nunca foi aquisição.
O Google ficou mais eficiente em encontrar conversão. Sua obrigação de saber quais conversões você causou ficou maior na mesma proporção. Quem não separar até o fim do trimestre vai passar o resto do ano olhando relatório em alta enquanto compra o próprio cliente.
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