
Chargeback ainda penaliza quem vende online. E o custo é maior do que você imagina
O chargeback foi criado para proteger consumidores contra cobranças indevidas. Décadas depois, o comércio evoluiu, as fraudes se sofisticaram, mas as regras de contestação continuam presas em outra realidade.
Segundo a Visa, o ticket médio das fraudes no e-commerce brasileiro em 2024 foi 60% superior ao das vendas legítimas. Os fraudadores miram transações de maior valor. E quem absorve o prejuízo? O lojista.
Uma realidade física aplicada ao digital
As regras do chargeback refletem uma época em que compras presenciais tinham máquinas manuais, papel carbono e assinatura física. No ambiente online, simplesmente não existe ficha assinada. Ainda assim, a responsabilidade de comprovar que a transação foi legítima continua recaindo sobre o lojista.
Contestar um chargeback no e-commerce é uma tarefa praticamente impossível. Mesmo quando a venda foi legítima, reunir evidências suficientes para convencer bancos e bandeiras é extremamente difícil.
O custo real do prejuízo
De acordo com a LexisNexis Risk Solutions, cada R$ 1 perdido em fraude representa um custo total de R$ 3,01 para o varejista. Isso inclui operação logística, reposição de mercadorias e recuperação da transação. Muito além do estorno.
Existem casos de reversão — quando o endereço de entrega pertence ao titular do cartão, ou quando um familiar fez a compra sem saber (fraude amigável). Mas são exceções. Na maioria das disputas, o comerciante absorve tudo.
Tecnologia como escudo
Hoje, soluções antifraude analisam milhares de variáveis em milissegundos: CPF, cartão, dispositivo, endereço de entrega, histórico de compras e comportamento do consumidor. Algoritmos estimam a probabilidade de fraude antes da aprovação.
O recurso 3DS pode ser ativado quando a ferramenta tem dúvidas sobre a legitimidade. É um equilíbrio necessário entre conveniência e segurança. Aprovar tudo gera perdas. Bloquear demais afasta clientes.
BoxShift Take
O chargeback não pode continuar sendo tratado com a lógica de décadas atrás. O comércio digital evoluiu, as fraudes se sofisticaram e os mecanismos de prevenção ficaram mais inteligentes. É hora de exigir regras mais equilibradas.
Invista em prevenção: antifraude de qualidade, autenticação 3DS e dados comportamentais. Cada real perdido em fraude custa três reais no balanço. Proteger o consumidor é certo. Transferir todo o peso da comprovação para o lojista, não.
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